terça-feira, 24 de abril de 2007

Por Trás Dos Panos

Toca-se o terceiro sinal, abre-se a cortina, ao centro um ator vestido de preto embaixo de uma luz azul, cercado por árvores artificiais. O que a platéia não sabe é que todo aquele aparato técnico que contribui para um bom espetáculo foi pensado e montado por profissionais que não estão em cena, mas que merecem tantos aplausos quanto os atores que dão vida àquela obra.
Profissionais da área técnica que trabalham na montagem e preparação dos espetáculos artísticos, como cenotécnicos, técnicos de palco e sonoplastas são poucos conhecidos no cenário cultural. São eles que dão vida a estética e beleza criada pelos cenógrafos e iluminadores, além de garantir a segurança tanto para os atores quanto para a platéia. Como é o caso de Richard Zaira, coordenador técnico do teatro Francisco Nunes, localizado dentro do Parque Municipal de Belo Horizonte. Com uma experiência de 14 anos executando essa função, Richard conta histórias e reivindica melhores condições para o mercado de trabalho atual. “O mercado tem foi assumido por pessoas sem capacidade, profissionais sem formação executando o trabalho de iluminadores e cenotécnicos” – Afirmou indignado Richard Zaira. Outro fator levantado por ele, é a falta de um piso salarial, “Diante de tal circunstância seria mais viável trabalhar com freelancer”. Comenta o técnico que coordena uma equipe de sete funcionários.
Atualmente Richard está envolvido em um processo de unificação dos profissionais que trabalham nos teatros Francisco Nunes e Marília, teatros administrados pela Fundação Municipal de Cultura. A unificação tem como objetivo melhorar a estrutura de trabalho dos técnicos envolvidos na execução geral das casas de espetáculos. O sindicato que regulamenta a profissão dos técnicos de teatro é o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Minas Gerais – SATED.
Cristiano Medeiros, de 26 anos, cenotécnico do teatro Francisco Nunes, aponta os pontos positivos de se trabalhar nessa área. “Gosto de trabalhar nesse mundo mágico”, afirma Cristiano, se referindo à produção artística mineira, que apesar de ser restrita a poucos profissionais, vem se tornando importante para o cenário cultural brasileiro. Segundo o cenotécnico a importância de se reciclar no mercado é necessário. É essencial fazer oficinas, freqüentar cursos e estar sempre antenado ao mercado nacional.
O salário de R$800 reais por mês, não determina a satisfação desses funcionários em executar suas funções. Segundo ele trabalhar com arte é algo maior do que a própia idéia de trabalho. Continuarão fazendo o que fazem de melhor, apostando nas pessoas e na convicção de levar algo mais, certos de que jamais a cortina se fechará e o espetáculo não terminará sem apaluasos. Voltar
Leonardo Horta
Régis Augusto

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